quinta-feira, 18 de junho de 2009

Vida longa ao amor


Estava a pouco com uma amiga no MSN e no meio da conversa compartilhamos de um sentimento que nos pareceu tão grande que resolvemos expandi-lo. Não se trata de apologia ou política e sim de respeito. Respeito por nós mesmos acima de tudo. Por toda a humanidade. Por nosso coração. A indignação tomou proporção após as matérias nos jornais nacionais a respeito da Parada gay de São Paulo, nos dias que antecederam o evento os jornais veicularam a importância do evento para a cidade,o qual só perdia em potencialidade financeira e turística para a formula1, um dos esportes mais caros do mundo. A televisão nos mostrou os preparativos, os manifestantes e a festa em si. E o que restou após a Parada? Violência. Os participantes que se confraternizavam no Largo do Arouche, foram vitimas de uma bomba caseira. A festa acabou no hospital, na delegacia, num quarto escuro, num choro para muitos. Outros dois homossexuais foram espancados pelo fato de serem homossexuais. E ouvindo a entrevista do Delegado responsável pela investigação só nos restou o horror. Ele concluiu que não tinha como investigar o fato porque as vitimas envolvidas não prestaram depoimentos para dar pistas e assim cerrar os culpados na cadeia. Segundo o delegado, o largo do Arouche é um reduto de homossexuais ricos e eles não querem se expor. É ai que reside toda nossa indignação. Lógico que não vamos cobrar das pessoas que elas se assumam e corram todos os riscos que acham que não devem correr. É mais profundo que isso. Todos nós, de alguma maneira temos que lutar, gritar, correr pra um lugar melhor, nem que seja dentro de nós mesmos. Fingir que não estamos aqui não é a solução. Não iria me admirar se alguns de meus amigos retirassem essa postagem assim que a lerem, é mais fácil a curto prazo se omitir. E as conseqüências dessa omissão é a discriminação, a violência, sentimento de inferioridade, intolerância e armários. Teriam que haver milhões de armários para esconder tanta gente. Prefiro pensar que esse simples texto signifique pra nós chaves, chaves que abram mentes, portas de armários e de corações. A Parada Gay de Campina é apenas um reflexo da alienação de muitos. Os organizadores apesar de esforçados limitam-se a farra e a exposição por exposição. É uma opinião. Opinião vã de quem também não subiu no palanque. Prefiro acreditar no efeito formiguinha, todos em comunicação e se protegendo dentro de um formigueiro tolerante. Tenho visto muita coisa nesse universo universitário campinense, uma delas é que de jeito nenhum somos minoria. Daí, quando acabam as festas e as bebedeiras o que fica é o silencio e o medo. Cansei de ouvir das pessoas que estão com medo de se perceberem gays, Bi ou qualquer coisa que não siga as “normas”. Medo de que os amigos com os quais dividem apartamentos ao descobrirem não sejam mais tão amigos, medo dos pais saberem, medo de estarem errados, medo de ir pro inferno, medo, medo, medo. Eu lhe pergunto, pra onde vamos com tanto medo? Eu lhe digo, vamos caminhando direto pra um abismo de infelicidade. Não é preciso erguer bandeiras, é preciso se viver, sentir, buscar a felicidade a independência. Espero que essa independência financeira não seja ilusória. Não adianta ter grana pra se bancar se não tivermos também peito pra ser o que de verdade somos. Somos seres de amor e sem ele não vivemos. Ame. Ame com pressa. Ninguém merece se esconder pra sempre.

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Esse texto era para estar nos orkuts..mas ficou extenso e não pretendo diminui-lo.

5 comentários:

fernanda disse...

fazer o q não é mesmo? Respeito não é pra todo mundo.
qnt a nós seres civilizados, amemos então...

Lewinsk disse...

Fiquei emocionado com a força do texto. Ao invés de aflição e preocupação, me deixou cheio de potência. São estas micro-revoluções que valem sim. Além de gay, há de se ser político. E a política não se resume aos palanques ou aos protestos, mas a resoluções diluídas no cotidiano. É o amor mundis.

Sara disse...

Esse amor pela humanidade ainda vale a pena..
Lutar, de braços dados ou não.

Saulo de Tasso disse...

Eu sou Hannah Arendt futebol clube: ação. Uma das atividades essencias e vitais ao Homem é ação. E essa ação gravita na esfera polítca. Essa Parada Gay de São Paulo me fez atenar para detalhes que, nos anos anteriores, eu olhava de soslaio. Uma delas a cobertura jornalística. Tinha crises histéricas quanto ao framming econômico do evento. Parada gay não tem como intuito principal gerar renda. (principalmente hotéis de luxo) e sim luta pela diversidade sexual. Para minha surpresa, houve um avanço digno nas coberturas da Parada 2009: justo!A mídia cobriu direitinho seu papel. Atentados homofóbicos?Vamos retomar aquilo que nos move em sociedade AÇÃO. Parada Gay de Campina é desestruturada: estruturesmos, então!O que não pode é ficar sem. Campina está bem evoluída em outro sentido: BEIJO GAY PÚBLICO. Faço uma listinha de lugares que isso acontece:Justo (é a ação). Mesmo que tenha virado modismo de criaturinhas que adora chamar atenção, é válido. Homofobia é violência, fundamentalismo, xiitismo. Levantar bandeira não significa apenas defender uma instituição, mas sim defender uma idéia e se possível for, morrer (pelo menos emocionalmente) por ela. Os inrustidos realmente não precisam apresentar-se ao público, mas poderia começar a ficar apenas na sua, além de denigrir a imagem dos que transpiram no suor a sexualidade..Por um Estado laico de fato!Por menos hipocresia..Por mais gente nas Paradas Gay do mundo!

Perto de Mim disse...

Por isso, que às vezes me chamam de doida e até se afastam por puro preconceito. E eu , ligo? Sou lésbica e pronto . Minha bandeira é a colorida, gritando por todos os lados " eu sou gay" e com muito orgulho .